A articulação do deado federal Ronaldo Carletto (PP) para chegar ao Senado Federal tem ganhado corpo e tende a jogar, nos próximos meses, um dilema no colo do governador Rui Costa (PT).

De olho no Partido da República, o progressista se movimenta a fim de vitaminar a sigla, com filiação de aliados, para depois pleitear uma vaga na majoritária. No entanto, a ação de Carletto não se restringe ao PR. O deado também tem participado do fortalecimento do Pros e deve usar os dois partidos para “barganhar” espaço na chapa de Rui na eleição de 2018.

Segundo apurou o bahia.ba, Carletto tem hoje oito peças no seu xadrez político. Três delas foram para o Pros após articulação sua: Manassés, Alan Castro e Jurandy Oliveira, antigos integrantes do PSL. A escolha da sigla se deve ao fato de o trio ter pouco capital eleitoral e uma legenda menor aumentaria a chance de reeleição.

As outras cinco peças, com mais potencial de votos, Carletto pretende colocá-las no Partido da República: Robinho, Luiz Augusto e Aderbal Caldas, todos do PP, Nelson Leal e Reinaldo Braga, ambos do PSL. Apesar do desejo do parlamentar, alguns progressistas resistem em mudar de agremiação.

É o caso de Luiz Augusto, que hoje comanda a Assembleia Legislativa interinamente após o afastamento do titular Ângelo Coronel (PSD). Aos aliados, tem dito que “não tem pensado em enfraquecer o PP”, mas não descarta deixar o partido.

Se a movimentação de Carletto tiver êxito, o presidente estadual do PR e deado federal José Carlos Araújo estima que a sigla pode ultrapassar 70 prefeituras, número próximo ao do PSD, do senador Otto Alencar. Ele ressalta, no entanto, que só vai conversar com o ainda pepista em março, quando será aberta a janela eleitoral que vai possibilitar que políticos mudem de legenda sem perder o mandato.

Além das prefeituras do PR, Ronaldo Carletto pode ter ainda as do Pros, que, com filiação dos novos membros, acredita-se ter em torno de quatro. O anúncio deve ser feito na convenção do partido no dia 23 de novembro.

Perguntado pelo bahia.ba se a estratégia de Carlleto de enfraquecer o PP pode fazer com o que o partido perca espaço na chapa de Rui para o PR, Araújo afirmou: “Aí não é problema meu. Aí é problema do governador”.

Aliados do petista entendem que a alternativa seria o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner (PT), abrir de concorrer ao Senado e ser candidato a deado federal. O próprio petista cogita a hipótese para evitar o rompimento no grupo.

A cúpula do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), provável postulante ao Palácio de Ondina, aposta no acirramento entre o PP e o PR pela chapa de Rui para ganhar uma das siglas. No Palácio Thomé de Souza acredita-se que, entre Leão e Carletto, o governador ficaria com o seu vice, o que indica a possibilidade de o Partido da República ir para a base do democrata.