UMAS E OUTRAS DA CIDADE (XXIX)
(NOTAS DE BELMONTE - ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)
A 28ª parte destas Notas, a passada, expôs a maneira, vamos dizer assim, intemperante do belmontense Zé Bermuda diante da instituição matrimônio, esta (a 29ª) –, continuando com a prodigalidade de Bebel em gestar figuras folclóricas e fatos inusitados–, expõe a maneira parcimoniosa como o artesão Temístocles de Almeida Barbosa, popularmente chamado de Zimbu,encarou a referida união.
Zimbu era –numa rápida olhada em sua origem familiar preambulando a cautelosa ocorrência nupcial– filho de José Pedro Barbosa, conhecido como Juca Chapadeiro, mineiro de Diamantina, cidade das bandas da nascente do Jequitinhonha e que, seguindo o curso, desceu o rio e veio parar no Salto da Divisa, lugar onde, ao fazer amizade com gente influente, em especial com os Cunha Peixoto, da casta de grandes pecuaristas, se estabeleceu economicamente. Não tardou a correnteza o conduzir à Bebel do território sul-baiano –e de sua foz– e aí, ao lado da esposa Gerosina de Almeida Barbosa tornar-se belmontense por adoção e gerar a prole de 9 filhos na construção de conceituada família. Dentre os manos: Zimbu, o ruim –sem eufemismo– pra cacete de matrimonio! Esticando um pouco mais, era uma época que, subindo e descendo nas caudalosas águas do rio, num vai e vem sem fim, se destacavam os singulares canoeiros e tropeiros a transportar o cacau brotado em abundância das férteis margens aluviônicas.  Para se ter uma ideia as canoas giravam em torno de 22,00m x 1,60m largura por 0,80m de altura construídas do vinhático e de outras árvores do pedaço, e se diga, de um tronco só, e suportavam cerca de 6 toneladas do ouro vegetal.  
         Pois é, caro ledor, deixando de blábláblá, em Bebel de tempos idos alguns bichos homens tinham essa de ser ‘oito’, como o quase precipitado casamento do Zé Bermuda, ou de ser ‘oitenta’, como a de tirar de ‘gato mestre’ e querer enrolar uma moça por longo tempo. Citável, como lembra Rogério Gomes de Oliveira (Gaje para os amigos), é o caso de Rui Delvale (o Rui Faz Tudo como carinhosamente muitos o tratam em Bebel) que, entre namoro e noivado com a amada levara 25 anos, portanto, com direito adquirido à tradicional “Bodas de Prata”, não obstante –para não se cometer injustiça–, hoje estejam bem casados e com herdeiros. Mas esse ocorrido é –por passar ‘meio século’ a fazer juras de amor à sua Durvalina Figueiredo e, jamais ter raspado pela cabeça o enlace matrimonial– café pequeno para o do supramencionado Temístocles.Os que lhe eram mais chegados contam que Zimbu tinha duas paixões na vida: a confecção com maestria de tamancos na própria tamancaria, situada no prolongamento do casarão (rua D. Pedro II esquinada com a J. J. Seabra) dos seus progenitores e, a de cortejar a nubente –na casa dela– das 7 às 10 horas da noite. Com um detalhe: chegada e saída com pontualidade britânica. Tal rigor se prendia a duas questões: a primeira por nesse tempo a iluminação de Bebel ser gerada por energia termoelétrica e ficar os citadinos sujeitos a preestabelecidos horários de início e fim do seu funcionamento (das 17 às 24 horas; exceções em certas ocasiões como nos dias de festas, que ia até o amanhecer); a segunda e privada, por prevenir a dupla amorosa da indiscreta curiosidade da vizinhança. Se na residência da noiva, Zimbu, num lapso, ultrapassasse o limite –da volta e o das luzes acesas–, com certeza “inocentes” comentários iriam correr soltos pela cidade; valendo dizer que em matéria de ‘tagarelar vida dos outros’, Bebel tirava dez com louvorem qualquer teste concorrencial.  Por haver morado defronte à casa da noiva e de sua irmã Nininha na popular Rua do 7 (oficializada de Cel José Gomes de Oliveira), a belmontense Maria das Graças é uma prova viva e inconteste desses austeros ‘chega’ e ‘sai’ do comprometido.
 – Sem bisbilhotar, sem bisbilhotar ninguém; eu era muito criança! Ressalta Graças com humor, moradora hoje de Salvador, num papo com este escrevinhador a respeito.
Para o sobrinho Corbiniano Lemos (ou simplesmente Cobi), residente atual de Lauro de Freitas na Bahia, a possibilidade de Zimbu fazer acontecer no ‘escurinho da noite’, seria uma expectativa errônea ou intrigante dos vizinhos espectadores porque seu tio, garante ele, embora heterossexual, macho como se dizia antigamente, não chegaria aos ‘finalmente’. – O relacionamento deles era casto, de ‘amor platônico’, jamais passando pelo par a intenção sexual além da relação afetuosa, completa.  O curioso, e porreta é que havia uma Durvalina irmã do noivo, logo, xará da noiva Durvalina,advindo daí, possivelmente em razão do já respeitável longo tempo de noivado, a nubente ser tratada pelos familiares do noivo, com a deferência de Tia Dudu. À biológica tratavam-na de Tia Duva.
Finda aqui as “Bodas de Ouro” de noivado, exclusivamente; não entrando na conta os três anos de namoro do casal.
                                                                           Heckel Januário
Em tempo: os irmãos Cobi e Maria Delvina, sobrinhos do aludido Zimbu, corroborando com a veracidade dos fatos, foram supimpas na elaboração deste escrevinhado. Aliás, Delvina foi criada pelos avós Juca Chapadeiro e Gerosina.
Em tempo2: Cobi na década de 90 gerenciou o Banco Econômico da Bahia aqui na Capitania dos Ilhéus e morou na Praça Mizael Tavares. 
Em tempo3: Zimbu, Petrônio, Eustáquio, Natalia, Durvalina (a Tia Duva), Euzebia, Eunice (a única viva e com 100 anos de idade), Sussula e Hilda (mãe de Cobi, Delvina e outros filhos) são os descendentes diretos do citado Juca.
Em tempo4: dos personagens acenados este escrevinhador conheceu a maioria deles, incluindo o eterno noivo Zimbu. 
 
 
UMAS E OUTRAS DA CIDADE (XXVIII)
(NOTAS DE BELMONTE - ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)
         No fim dos anos 60 do passado século pintavam em Bebel oriundos do Rio de Janeiro, José Januário, Mario Roberto e Caio Jarbas, irmãos na flor da idade, garotões sarados e, bem de dindim. Na capital carioca viviam no bairro do Leblon sob custódia do tio Tantão (de registro Sebastião Gomes de Oliveira). Do rol de famílias de abastados cacauicultores, chegavam para ajudar o pai Luís Gomes a tocar as propriedades cacaueiras que margeavam o Jequitinhonha (subindo o rio) até o distrito de Cachoeirinha.
         O mais novo, o mais boêmio e ao qual se prende esta Notas era José Januário, que de prima recebeu dos autóctones, por apreciar o tipo de short, o cognome de Zé Bermuda. Mal, mal arriou as malas o chegante tratou de dar um tempo ao preestabelecido objetivo para se dedicar a outro: o de se enturmar com a rapaziada local, rapaziada esta que tinha, como maior preocupação, curtir a vida, não estando nem um tiquinho assim preocupada –por ainda faltar-lhe consciência política– com o regime ditatorial que o país vivenciava. Bom falante, de sotaque carioca, Zé Bermuda não encontrou barreiras para adaptar-se aos costumes dos conterrâneos. Nessa época as festinhas nos clubes América, Flamengo, nas sedes das sociedades filarmônicas Lyra Popular e 15 de Setembro, no Clube dos Carregadores dentre outros espaços, complementadas pela fama da cidade de produzir invejáveis safras de mulheres bonitas na Região do Cacau, faziam a pequena Bebel efervescer. E havia também –como a não ficar para trás desta produção feminina– um grupo de rapazes nascido de maneira natural e nomeado pelas próprias meninas de “boas-pintas”, que o Zé entrou sem necessitar de seleção.

         Eram festas diversas –e se davam com intensa participação de nativos e visitantes–, inclusive de cunho religiosas. É numa dessas, a de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade que, Marta Viana, loura adolescente, bonita, avançada e chegada de Salvador se bateu com Zé Bermuda não dando outra: se apaixonaram à primeira vista. Num breve relato, esse festejo ocorre de 7 a 16 de julho de cada ano na Praça da Matriz onde a igreja da santa está situada, meio a missas e novenas festivas, barracas e a alegria contagiante dos partícipes. Sim, num piscar de olhos já estavam aboletados na barraca de Zeca de Pepino, um amigo da moçada, a planejarem os primeiros passos a dois.  Comerciante matreiro, carnavalesco dos bons, exímio tocador de timbau e cantor nas horas vagas, Zeca não hesitou em dar uma força ao ‘love’ do neófito casal com os clássicos de sua carreira solo. Foi deste modo que, entre cervejinhas, batidinhas de caju à moda da casa e, um ‘tapinha’ de leve coisa e tal na ‘inocente marijuana de inocentes tempos’, o dia amanheceu sinalizado pelo foguetório da missa. Nesse momento, embebecidos pelas flechadas de cupido, tomaram uma decisão: se casar aproveitando a folga do Padre João ao término da celebração eucarística. Logo Zé Bermuda mandou avisar a mãe, dona Irma, e pediu-lhe que trouxesse flores. A progenitora com o impacto da notícia de imediato procurou saber da moça. Soube estar hospedada com a ex-prefeita Nirinha e sob os cuidados de Altair Resende, uma amiga de Gei Viana, pai da jovem e homem forte do cacau no pedaço. Enquanto os comentários da inesperada núpcia tomavam conta das ruas, os futuros cônjuges, ligeiros, não titubearam nos preparativos. No altar os padrinhos Ronaldo Perninha, Maria Adalcy, Romualdo Tourinho, Solange Melo, o casal, amigos e o Padre João já selando o matrimônio quando de súbito ecoa na frente da igreja: –Abra a porta, Padre João!, abra a porta! Era a protetora da nubente em tom meio aflito a empurrar a porta entreaberta do templo. Não tardou a chegar o delegado Jorge Paternostro e com outro brado dominar o ambiente: –Padre João, um instante. Estou com o BO da dona Altair; assim sendo este enlace matrimonial está impedido. Cumpra-se.

 E a ordem foi cumprida.

         Este escrevinhador pertenceu, jogando a modéstia às favas, ao time dos ‘boas-pintas’ e participou de poucas e boas com o protagonista do açodado casamento. Recentes relatos revelam que tempos depois a protagonista, sem mais o viço da juventude teve um relacionamento com Carlos Antônio (Totonho ou Velho Tota para os amigos), outro pertencente ao quadro dos ‘pintudos’. 

Opa! Na próxima Notas, Zimbu e os 50 anos de noivado.

                                                                  Heckel Januário

Em tempo: este escrevinhado teve valiosa colaboração –tirando dúvidas e acrescentando dados pelo WhatsApp– de Rogério Gomos de Oliveira, irmão, por parte de pai, dos três chegantes. 

Em tempo2:  Zé Bermuda e Mario Roberto constituíram famílias, tiveram filhos, residem na cidade belmontense e descendem –como o advogado Ivan Gomes aqui da Capitania do Ilhéus– do Coronel José Gomes, intendente de Bebel entre 1890 e 1899. O pai do Gey, Demerval Vianna, foi prefeito da cidade entre 1931 e 1935; Dejanira Resende de Souza (conhecida como Nirinha) de 1959 a 1963.  

Em tempo3: pai, mãe, irmão Caio, tio, a jovem e o pai Gey, o Velho Tota, o delegado, o pároco e a hospedeira citados, não estão mais aqui entre nós.

Em tempo4: João Clímaco dos Santos (ou simplesmente Padre João) foi um sacerdote querido em Bebel e com mais de 40 anos de paróquia.

 

 

 
 
AÍ A RAZÃO DA DÚVIDA, DA PULGA NA ORELHA
 
         O fato de o governador Rui Costa anunciar a realização –através de vídeo que começou a rolar na web em fevereiro de 2018– da estrada Belmonte a Canavieiras e, daí para cá, silenciar, põe uma pulga atrás da orelha deste escrevinhador.
         As promessas de construção desta rodovia, como registradas em outros escrevinhados, tiveram origem há umas duas décadas nos palanques eleitorais.  Os governantes Cesar Borges, ACM, Paulo Souto e Jacques Wagner já protagonizaram em praças públicas juramentos de realiza-la, mas as juras esvaiam-se sempre em alegações um tanto esfarrapadas ao respeitável público do sul da Bahia.  Entre elas, uma era useira e vezeira: a de ser onerosa, haja vista algumas obras de arte no trajeto. Entretanto, tal onerosidade era por demais questionável, não só pela importância do empreendimento para a região sul-baiana, mas também por ser ‘café pequeno’ –em termos de hoje– em comparação a projetada ponte Salvador/Itaparica, mesmo o governo baiano entrando só com 25% dos 7,6 bilhões de reais do total orçado. A Bebel/Canes (como os mais chegados tratam as duas cidades­­) distará cerca de 30km segundo traçados mais longos e, portanto, mais econômicos (comporta também uma ponte sobre o Jequitinhonha de mais ou menos 500m); aliás, delineamentos que (os gestores mencionados chegaram a ter a iniciativa de faze-los) devem abundar em alguma gaveta bem lacrada da administração baiana.  
         No vídeo o mandatário diz claramente que o projeto desta ligação rodoviária está em fase de conclusão e inclusive já haver autorizado o Marcos (possivelmente alguém ligado a alguma secretaria do ramo) licitar a obra logo ele estivesse pronto. Sim, e que viria à Região Cacaueira proclamar a boa nova.
         A gravação, repetimos, data do 2º mês de 2018. Embora o sentimento de frustação com este elo domine a população cá da banda sulina da Bahia, o anunciado na internet na época ascendeu de novo suas esperanças, mas até agora, um ano depois, nem um sussurro a respeito pintou no ar. Aí a razão da dúvida, da pulga na orelha. 
         Sua Excelência tem reiterado na imprensa priorizar a educação, saúde, a segurança e –ao cenário econômico estagnado do país– a necessidade que teve de ajustar as contas pública nos quatros anos da gestão passada para organizar as finanças do estado. Ademais, mesmo sem prevê uma melhora da conjuntura no exercício atual, ele afirma “Seguiremos nesse ritmo de responsabilidades fiscal e financeira, mas também garantindo que a Bahia seja o estado de maior investimento no Brasil”.

         Pois bem. Apesar da mensagem alvissareira (a da rodovia saída da prancheta) não haver ecoada no pedaço até o momento, a frase aspada pode ser vista como um alento, pois, como se sabe, estrada é investimento e, é de se crer que o governador –com a prevista inauguração para o meio do ano da ponte Ilhéus/Pontal e a implementação da futura Salvador/Itaparica–  tenha colocado em pauta  que esta ligação desestagnará via terrestre as chamadas Costa do Descobrimento e Costa do Cacau e, com efeito, incrementará o turismo, enfim, a economia, de um modo geral, da Região Sul da Bahia. Claro, são conjecturas, mas mesmo o tempo urgindo e o histórico das promessas contraste com o anseio regional, o sonho da Bebel/Canes pode não ser tão sombrio, porque (tirando uma aqui de analista político rasteiro) os quase 76% de votos dos baianos a Rui Correria, carinhosa alcunha do governante pelo seu dinamismo administrativo, parece ter muito a ver com a sua vontade e orgulho de cumprir o que tem prometido.

                                                                  Heckel Januário
Em tempo: o referido vídeo fora publicado uma semana depois que o parlamentar estadual Jânio Natal e o prefeito de Belmonte, Janival Borges estiveram em audiência com o governador. Na ocasião este escrevinhador saiu com o escrito titulado ‘Só Me Resta Acreditar’, que somara –pela construção da Bebel/Canes– a um bom número de outros anteriores; infelizmente surfados na onda das fake news das promessas governamentais passadas. A expectativa é que este escrito tenha sido surfado na crista de uma notícia-verdade.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UMAS E OUTRAS DA CIDADE (XXVII)
(NOTAS DE BELMONTE - ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)
         Na Bahia tudo indica que logradouros com nomes oriundos da iniciativa popular pegam mais do que nomes oficiais. A Praça da Irene (oficial: Praça Castro Alves) aqui na Capitania dos Ilhéus e a Avenida Paralela (oficial: Av. Luís Viana Filho) em Salvador, são exemplos emblemáticos; isso sem os oficializados Morro do Gato, Praça da Piedade, Rua da Forca, curiosos nomes dentre outros tantos da capital baiana.
Em Bebel, não fugindo à regra, essas criações também abundam como Rua Lisa, Rua do Sapo, Rua do Porto, derivadas na ordem, e na época, da recém-implantadas placas de cimento na pavimentação; da grande quantidade (as alagações pluviais eram constantes nesta via) do referido anfíbio; eda relação direta com o cais-porto no Rio Jequitinhonha. Av. Mal Deodoro, Rua 23 de Maio e Av. Pres. Getúlio Vargas são os respectivos nomes oficiais.  Mas é da ‘Rua do Sete’ (Coronel José Gomes para o endereçamento postal), cutucada pelas recordações de três membros de um grupo no WhatsApp, que a presente XXVII Notas... quer se ater. ‘Do sete’ se prende à existência de um quarteirão em que sete casas residenciais se igualavam pelas medidas, fachadas (2 janelas e uma porta) e telhados e por ligadas umas às outras por paredes-meias. Uma, a de esquina, viria a ser modificada, passando a ter somente três portas para servir de ‘venda’ (a mercearia de hoje) com um bar ao fundo interligado. Cortada ao norte pela Travessa Santos Dumont, que divide outro quarteirão, este estabelecimento comercial (de novo, fora transformado em residência) esquinava com o Clube dos Artistas (hoje Câmara de Vereadores). Na parte sul o quadrado das sete casas se limita com a Travessa 15 de Novembro que por sua vez ‘extremava’ com o Largo da Usina e um imóvel, imóvel este onde funcionava a tipografia que editava o Diário Oficial do município, a Usina Termoelétrica da cidade, dois açougues e um espaço que a prefeitura o mantinha alugado para comércio. Como o prédio era tido como de valor histórico imensurável, as lembranças apontam que sua cedência junto com o largo, ao Banco do Brasil (entre 1989 e 1993) pelo prefeito, Luís Guimarães, no afã de implantar a agência bancaria, deu um rebuliço danado na cidade. 
Na interlocução via zap Nevandy Melo relembra o frondoso abacateiro no quintal do vizinho e os galhos a penderem para o da casa de seus pais e de ela não titubear em surrupiar, driblando a vigilância da mãe, os robustos abacates. Também recorda o compartilhamento de uma cisterna no meio da cerca com o outro meeiro. A professora Nélia Rabelo ressalta que quem construiu as casas geminadas foi Antônio de Astério, um tradicional construtor de Bebel e que morava nas imediações. Já Maria das Graças menciona os antigos moradores e suas famílias como o seu pai professor Ricardo, a sua avó Euxordia Lemos,  o cabelereiro Diogenes Barbeiro, seu Ananias, Anibal, Melito Melo (pai da Nevandy), dona Morena Rabelo (mãe de Nélia), a enfermeira Benita, seu Marivaldo Carneiro, a vovó Macaria  e os irmãos Figueiredo: Jonas, Tavinho e seu Paixão, este, um dos pioneiros na transformação arquitetônica do conjunto habitacional ao transformar em sobrado um imóvel adquirido.  Os pães ‘jacaré’, ‘peito de moça’ e de outros formatos –deliciosos, afirmam– da padaria de seu Agostinho e os coquinhos de mane-velho, caxandó, a burundanga, o ingá, o jataí entre outros ‘piteis’ da flora belmontense, do quitandeiro Oseias, comerciantes da Rua do Sete, não foram esquecidos.
O recinto etílico funcionava assim como um ‘reservado’ de acesso restrito. Certa feita este escrevinhador e dois parceiros, adolescentes de idade parelhas e ainda parcimoniosos no consumo do ‘suco de cevada’, usando da carta branca para adentrar, tivemos o prazer de assistir uma passagem deveras aplaudível.  Aboletamo-nos numa das parcas mesas existentes no salão e por acaso ficamos em frente a duas figuras conceituadas da cidade que travavam, meio uma cerveja e outra e um trago e outro da ‘marvada’, uma verdadeira batalha de palavras centrada numa tal Madama Butterfly: Prof. Ricardo, maestro da Filarmônica Lyra Popular, e o advogado Dr. Bazinho. A veemência com que o primeiro defendia ser a ‘Madama’ uma ópera e o segundo, idem, uma opereta, nos fazia, mesmo sem aquele entendimento, interessar pela discussão.  Hora de picar a mula, já com os raios solares se ofuscando no ambiente, nossa opinião, irrelevante, claro, como a dos demais mesários se coadunaram: não houve vencedor. Depois de alguns anos, a leitura em língua lusitana a respeito, mostrou que Madame Borboleta se tratava de uma famosa peça teatral-musical italiana, por sinal, ópera, dissipando a ignorância do escrevinhador.
O logradouro não resistiu às transformações físicas impulsionadas pela natural evolução no tempo, mas Rua do Sete, atravessando gerações, vem se perpetuando na memória dos belmontenses.
                                                                  Heckel Januário
Em tempo: Como dito, este breve relato foi aflorado pela bate-papo recordativo de Nevandy, Graças e Nelia, belmontenses que em idades tenras, residindo com seus pais neste conjunto da rua, foram testemunhas presenciais de histórias do lugar.
Em tempo2: Os proprietários do bar foram os irmãos Menezes: Bebeto e depois Onildo, de considerada família de Bebel. E Filhos do Jequitinhonha é a denominação do aludido grupo da internet.
Em tempo3: Dizem especialistas em toponímia que na Bahia um dos fatores de nomes populares em logradouros dominarem os de batismo oficializado, resulta da informalidade, e óbvio, da criatividade do baiano.
 
 
 
 
PARA HAVER SENTIDO
A campanha do presidente eleito, Jair Bolsonaro embora com a inseparável presença marcante do economista Paulo Guedes, tido como um ultraliberal de carteirinha (o “Posto Ipiranga” como o identifica para assuntos econômicos o ganhador da disa), ela se fez mais enfática no combate à violência, ao crime organizado e à corrupção, não deixando muito clara a juízo deste escrevinhador, a política econômica a ser adotada. No entanto, vinculando-me a esta política, a cadeira do referido economista ao ser colocada na arrumação da casa numa das cabeceiras da mesa e a do deado Onyx Lorenzoni, outro liberal e conhecido pela sua determinação na criminalização do Caixa Dois nas CPI(s) do Congresso, numa outra, indicam proposições neoliberais –significando, como preceitua o neoliberalismo,privatizações em massa, ajuste fiscal, nada deprotecionismo econômico e elevação de impostos e tributos etc., etc., enfim, diminuir drasticamente o Estado na economia.
Porém às propostas do Posto Ipiranga de passar para o setor privado o Banco do Brasil e a Caixa Econômica como primeiro prato a ser servido e de cara ‘riscado do cardápio’ pelo gerente do estabelecimento, revela uma certa contradição na preparação. 
Tal poda, comenta-se, pode ter a ver com o histórico de estatista de sua excelência. Seus votos –fora deado federal por quase três décadas consecutivas– contrários às vendas das empresas Vale do Rio Doce em 1997 e Telebrás em 1998 são exemplos emblemáticos. Acerca de sua oposta posição em torrar nos cobres os bens da coletividade muito se foi e se é comentado o jocoso episódio em que o parlamentar promete ‘apagar’ FHC, então mandatário da Republica, por levar a cabo seu plano privatizante. Essas privatizações, vale recordar, ainda que tenham, com referência às telecomunicações, beneficiando de algum modo a vida de milhares de brasileiros no boom dos celulares, na transação –está registrado nos autos da imprensa– houve maracutaia da grossa, resultando em consequência a queda de ministros e autoridades envolvidas; quanto ao negócio com a multinacional mineradora o que se tem é que houve uma verdadeira ‘doação’ do patrimônio público.
Os meios de comunicação expõem que dentro do projeto do homem forte da economia consta a venda de todas as estatais e imóveis da União (é verdade que abundam modernos e suntuosos prédios governamentais pelos quatro cantos do país –e o salário oh! Lembra o caro ledor de Chico Anísio comprimindo o polegar e o indicador?), com o argumento de fazer caixa para frear a progressão da dívida pública, e calcula na empreitada arrecadar –cálculo questionado por bom número de especialistas– cerca de 2 trilhões de reais. Em FHC o afã de privatizar tinha igual objetivo, levantar recursos para arrefecer o débito, mas o que se viu, foi em 6 anos –dados de breve busca na internet– a dívida mais que triplicar ao passar de 78 bilhões de dólares em 1996 para 245 bilhões em 2002.
Como houve outra rasteira antecipada na pretensão do Posto Ipiranga de voltar a famosa CPMF –contradizendo até os ditames de sua cartilha neoliberal que proíbe radicalmente o aumento de tributos –,   fica a dúvida, envolvidos os assentados –de técnicos e probos como já exaltara o Chefe de Estado em pronunciamento– em controversos sim, sim, não, não, quais realmente serão as ações governamentais da nova gestão presidencial. Como as provas estão a mostrar que o estabelecimento não usa o serviço a lá carte, e que seu representante-maior se diz antissistema, a exemplo de abominar um governo de coalizão –aquele que os cargos são ajeitados para os partidos coalizados, tendo estes desta forma o poder de decisão na administração–, vamos aguardar.  Além disso há registros que nas extremidades da mesa foram abertas brechas para inclusão de mais assentos –um já é do vice-presidente–   dos militares, alguns tidos como ferrenhos nacionalistas, outros nem tanto.
Como, para haver sentido se faz imprescindível que os poderes da República   (Judiciário, Legislativo e Executivo) aqui, claro, falando do nível federal estejam em função do desenvolvimento social, espera-se –num momento em que no território chamado Brasil o avanço no ranque mundial da desigualdade social e econômica é patente e o desemprego ganha  as alturas–, que o staff-governamental-executivo, à frente o seu comandante, ao exercitar o mandato  à vera, o faça democraticamente tendo em vista as múltiplas carências dos 200 milhões(como o Chefe de Governo chegou a expor em recente declaração) e lá vai fumaça de brasileiros. Óbvio, aí incluso os do candidato vencedor, os do perdedor, os que não estiveram, apesar da insistente convocação da Justiça Eleitora, nem aí para as urnas, incapazes, crianças e outros nem tanto carentes.   
                                               Heckel Januário 
 
 
COLUNISTA  HECKEL  JANUÁRIO  COMENTA  O  5º ENCONTRO  DE  FILARMÔNICAS  EM BELMONTE
 
 
UMAS E OUTRAS INUSITADAS DA CIDADE (XXVI)
(NOTAS DE BELMONTE - ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)
         A imersão intencional no passado trouxe à tona para encaixe nesta sequência ‘Um Pouco de Protógenes’, escrito datado de dezembro de 2006, o qual reproduzimos de modo levemente não literal, em razão da mania deste escrevinhador de apurar quando oportuno, um texto sem mudar-lhe o sentido.
Pois é, lá pelos anos sessenta em Bebel, cidade natal, convivi com uma pessoa, pode-se dizer, excêntrica na acepção da palavra: Protógenes Gonsalves. Esguio, de pernas alongadas, ginga de capoeirista e cheio de gíria, Protógenes se assemelhava a um autêntico malandro de morro do Rioantigo, enfim com um “bon vivant”, como se diz no francês.  De sorriso alargado, Tó, como era tratado, tipificou-se como uma figura folclórica da cidade e como um ícone para a meninada e a rapaziada da época. “Sujeito de confiança esse Tó!”, admiravam-no os pais de famílias.
Falador inveterado e com o prazer de se fazer notado, não seria de estranhar que, com os direitos de cidadão se impondo um pouco mais hoje em dia, ele entrasse na política e, revestido de um cargo eletivo desses, se tornasse   um batalhador pela volta de Marilia (local onde foi instalada a fábrica da Veracel Celulose) a Bebel, cedida a Eunápolis numa transação, segundo se comenta, penosa ao extremo. Parece que estou vendo-o a cobrar explicações das autoridades municipais e da Bahia em veementes pregações. E suporte não lhe faltava pois, mesmo que a irreverência o marcasse, ladeava-o a qualidade de um carácter ilibado, princípioausentena maioria dos políticos brasileiros atuais.
Uma vez por outra conduzia um grupo ao Cabaré de Eufrásio. No salão se portando como um rei, de prima advertia as meninas da blenorragia: “Tenham cuidado. Os meninos são meus, nada de sujeira com eles”. Minha turma teve a “primeira vez” orientada e conduzida por Tó. Era um exímio bebedor, mas tinha a preocupação de não deixar nenhum de nós –a meninada– ingerirmos bebida. Exibicionista como ninguém e já com algumas cervejas no bucho, adorava ir para o meio do salão, pedir para a orquestra parar e, fazer curtos discursos. O fim de todos eles em mim ficara gravado porque era sempre: “Um dia ainda libertarei o meretrício da opressão dos homens”. Não tenho dúvida de que Tó, de espirito libertário e na condição de político, se engajaria em algum projeto para tornar a “zona” livre de preconceitos, tal como fez de maneira natural Seu Arnoldino, conhecido comerciante de Bebel, ao transformar nos dias de carnaval O Grande Ponto, seu estabelecimento comercial localizado na Praça 13 de Maio, no famoso cabaré Céu Azul,  numa cidade (e numa época) –como  toda a região do cacau– cheia de amarras preconceituosas, cujo meretrício só se estabelecia em áreas afastadas.
Era um ás no ‘samba de breque’ e tocava bem todo instrumento de percussão: da bateria ao agogô. Carnavalesco de mão cheia, no domingo e na terça de carnaval comandava a tradicional batucada, composta só de garotos, de dona Elizete Monteiro. Nos ensaios, sua sensibilidade aguçada, percebia fácil uma atravessada no samba e, aí, não dava outra: um apito característico comia no centro como um alerta do erro.
Quando em sua oficina de bicicleta, diferente da irreverência das ruas, mantinha postura um tanto austera, só que, adotava o estranho hábito de não trabalhar das doze às quatorze horas pra senhor ninguém, fosse quem fosse. Se alguma criança (ou adulto) desavisada achasse de procurá-lo nesse intervalo com uma “magrela” para reparo, recebia de cara um sonoro “Ora meu filho, você não entende? Você não sabe que a hora do meu almoço é inviolável!?”. Tal fraseado, como se comentava, fora tirado dos Odebrecht, sobre os quais Tó costumava contar uns casos meios mirabolantes. Embora não se saiba da veracidade deles, o fato é que por vezes, inesperadamente o homem sumia da cidade e a notícia corria que ele estava em Salvador. Com a rapaziada que estudava fora, especialmente na capital, mantinha um forte relacionamento, inclusive o tinha como um líder. Formou-se com isso, sem imposição formal de regras, uma espécie, vamos dizer assim, de ‘confraria do Tó’, haja vista ter intimidade com Protógenes era ficar na ‘crista da onda’, ser ‘pra frente’. No time da moçada havia aqueles mais chegados, mais íntimos de Tó, e que exerciam uma certa liderança na “irmandade” a exemplo de Mega, Afrânio, respectivos estudantes de direito e de química. Outro, Gute, estudava medicina –e era aluno do mestre Bimba na capoeira e que introduzia a arte a Roxinho, um nativo brigão pra cacete e que se orgulhava de ser acobertado pelo futuro médico nas provocadas confusões.
Não sei do paradeiro, mas no lugar onde estiver, Tó foi (ou é) uma dessas figuras que viveu uma vida marcante, boêmia por excelência, mas acima de tudo, como um cara do bem.
                                               Heckel Januário
Nota: o mergulho nas águas profundas de 2006 foi provocado pela recente exposição do advogado belmontense Celcemy Andrade, integrante dos Filhos do Jequitinhonha, na Câmara de Vereadores de Bebel ao recordar passagens e personagens da cidade, incluindo esta, sobre a qual foi produzido este Um Pouco de Protógenes.
Nota2: Filhos do Jequitinhonha foi –e continua– um movimento criado recentemente por residentes e não residentes belmontenses com a finalidade de realizar reencontros e claro, confraternizações, como também a de praticar ações filantrópicas. A inciativa fora das irmãs Bandeira de Melo: Doia, Veita e Elisa; Maria Adalcy, Neide Matos, Maria Adelaide, Glaucia Suzart, das gêmeas Geninha Carvalho e Lulu Castro entre outras mulheres naturais de Bebel.  Este primeiro reencontro se deu no período (13 a 16 de julho) dos festejos de N. S. do Carmo, padroeira da cidade. A reunião entre os partícipes na citada Casa dos edis foi o momento solene da programação. 
 
 

UMAS E OUTRAS INUSITADAS DA CIDADE (XXV) (NOTAS DE BELMONTE - ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)

Ao cutucar a memória na caça de alguma um tanto ‘fora de série’ da terrinha da foz do Jequitinhonha para esta sequência, percebi que havia passado batido nas antecedentes partes XXIII e XXIV.  
Elas focaram em Salvinho Bandeira e Arnoldino Andrade, figuras entusiásticas do movimento integralista em Bebel, deixando de centrar, por um lapso do escrevinhador, também nos seus irmãos: Godofredo Mendes Bandeira e Viriato Marino de Andrade. Como não possuo provas cabais, fica a dúvida se integraram o referido movimento, porém o primeiro ao aportar em Belmonte –início do século XX oriundo de Santo Amaro da Purificação junto com os irmãos João, Francisco, Salvinho(o da XXIII) e Adolfo (este desembarcou em Canavieiras)– se tornou político –e conceituado comprador de cacau.  Sua verve política o faz prefeito de 1939 a 1943 e, em 1953, ao perceber o perigo das cheias do Jequitinhonha –com o recente desmoronamento do cais de proteção– para a cidade não hesita, homem público já consagrado, em encabeçar um telegrama direto a Getúlio Vargas dizendo da indomabilidade das águas e, claro, pedindo providências. Como o apelo logrou efeito com as obras iniciadas de bate-pronto, em Bebel se tem que o resultado positivo se deu porque os requerentes, em especial Seu Godo(como era mais conhecido), pertenciam a diretórios de agremiações partidárias (PSD, PRP e PTB) ligadas ao presidente e, sobretudo, correligionários desde quando o comandante e seu Estado Novo governavam o país com traços fortes do integralismo. Este comunicado entrou nos anais da República Brasileira.
Viriato Marino de Andrade é o mano do segundo –Arnoldino Andrade, ambos portugueses da Vila de Tocha– e outro a se aventurar pelas águas do Jequitinhonha. Como dito, dele não há passagem ligada aos “camisas verdes”, mas uma se encaixa direitinha nessas Notas. É o fato dos nomes dos seus 8 filhos serem iniciados por ‘éle’ (ou ‘lê’ como se dizia antigamente): Lena, Lea, Lis, Levi, Laerte, Leni, Lairton e Larry. Considerado um imperturbável trabalhador, ao subir o Paticha e se estabelecer nas bandas de Itapebi(na época distrito de Belmonte) se torna próspero fazendeiro de cacau.
Para compensar, na cutucada deparo com mais um integralista, desta feita um filho de imigrantes italianos de Cosenza: Orlando Paternostro, belmontense nascido em 1898. Foi mais um a subir o caudaloso rio e, dotado de aguçada visão empresarial agrícola-comercial, ao tirar proveito de suas fertilíssimas margens, acumula alargado lastro patrimonial.  Na política foi um dos líderes do braço belmontense da Ação Integralista Brasileira.  Certa feita –anos depois do término da Ditadura Militar e já aposentado da política– na brecha de uma conversa com seu amigo Hermelino de Paiva, meu pai, curioso, perguntei-lhe: –“Seu Orlando, como era mesmo o Integralismo? ”. Respondeu-me: “Nada, meu filho. Foi tudo invenção”. Não foi, evidentemente. A respeito, do meu tio José Figueiredo, um amansador de animais e um artista na arte de trabalhar o couro –fazia selas bonitas pra cacete!– e, um ‘pé-de-cana’ exemplar,  e que pertenceu a seu grupo, dele paquerei bons causos, como o sobre a saudação “Anauê”.  Mais tarde, Seu Orlando filiou-se ao antigo MDB e teve participação ativa na vida pública belmontense, inclusive eleito mandatário em (1967/1971 e 1973/1977).  Conta-se que ele, então rival político do Dr. José da Costa Pinto Dantas (prefeito entre 1948 e 1951), ao inaugurar um hospital (na 2ª gestão) e consciente dos enormes benefícios que o adversário prestara a população, não titubeia, demonstrando grandeza de caráter, em nomeá-lo com o nome do médico. Em tempo: “Seu” era um tratamento muito usado aos mais velhos em Bebel. ‘camisas verdes’ era uma das alcunhas da referida doutrina nacionalista.  
Em tempo1: Ernani Pinto, Honório Gomes e João Gomes foram outros que assinaram o telegrama. As fontes da ocorrência são fidedignas, e o caminho: Acervo/Consulte à Base/Aqui - Em seguida digitar Godofredo Mendes Bandeira e clicar em Busca e no Item 5) do site http://cpdoc.fgv.br/ da FGV, comprova-a.
Em tempo2: ‘Paticha’ era o Jequitinhonha para os índios Botocudos; os colonizadores portugueses chamavam-no de Rio Grande.
                                                                  Heckel Januário