Na noite de quinta-feira, 16 de agosto, os candidatos a governador da Bahia se enfrentaram no 1º debate televisivo das eleições 2018 no estado, realizado pela TV Band. Bahia40graus faz aqui algumas observações sobre o desempenho de cada um:

Propaganda - Ficou evidente que a popularidade do atual governador Rui Costa (PT), cujo partido está no poder desde 2006 no estado, vem muito mais da eficiência da propaganda do que dos resultados reais. O governo petista foi alvo de críticas de todos os candidatos concorrentes, menos de João Henrique (PRTB), ex-prefeito de Salvador, que parece estar ciente do seu papel de mero coadjuvante e ficou em cima do muro. Deu uma cutucada de leve apenas a imprensa (nos “donos dos meios de Comunicação”) quando foi citado como o “pior prefeito”.   

Realidade - A verdade é que a economia baiana apresenta uma histórica desigualdade social com números assustadores que vêm desde o domínio carlista antes do PT. Os indicadores negativos atuais de desemprego, segurança pública, saúde, educação e meio ambiente revelam, na versão às vezes exageradas da oposição, que a correria do governo Rui Costa está em câmera lenta e não acelerada como aparece na propaganda

“Fila da morte” - Os ataques estatísticos e as promessas vagas foram o tom do debate. Mas a tal da “fila da morte” nos hospitais públicos da Bahia impactou. A ineficiência do setor de Regulação do SUS no estado é grave. Rui preferiu dizer que construiu hospitais e policlínicas, prometeu construir mais. O tempo curto dados aos candidatos no modelo de debate feitos na TV acaba não permitindo aprofundar temas relevantes, como a questão da crise hídrica no estado, levantada pelo jornalista Levi Vasconcelos. O telespectador também não participa nem pelas redes sociais e o debate chega a ficar desinteressante.

Primeira candidata negra a governadora da história da Bahia, a ex vice-prefeita de Salvador Célia Sacramento (Rede) teve boa performance, deu algumas cutucadas com classe e falou com propriedades sobre temas relevantes, focando na Educação, sua área de conhecimento. Tem tudo para crescer nessa campanha até outubro se tiver chance de mostrar suas ideias. Ela também saiu-se bem de outra pergunta do jornalista Levi Vasconcelos, sobre sua antiga aliança com ACM Neto. Foi até didática, afinal é professora universitária.

Ex-ministro da Integração, João Santana (MDB) parece detentor de um vasto conhecimento de gestão pública, domina bem estatística, mas ainda lhe falta a pegada do político para traduzir sua bagagem num discurso palatável. Se não fosse o desgaste MDB com as mazelas do governo Temer e o caso policial envolvendo o ex-ministro Geddel e família, João poderia até ter alguma chance como a 3ª via nessa disa.

José Ronaldo (DEM) parece que está só cumprindo tabela, precisa empolgar mais. Deixou o prefeito de Salvador ACM Neto fora do seu discurso. Teve um desempenho razoável, podia ser melhor. Caiu na provocação de Rui e falou muito de Feira de Santana, mas é uma campanha para governador e não para prefeito.

Marcos Mendes (Psol) Bateu forte nas políticas públicas (ou a falta delas) do governo petista na Bahia, mostrando números negativos. Mirou em Rui quase o tempo todo, chamando a atenção para si. Mas também bateu no grupo carlista. É franco atirador, traz na bagagem conhecimento da realidade baiana e fala bem. É bom prestar a atenção nele nos próximos debates.

 

Por Geraldinho Alves