A notícia de dias atrás que a Ceplac retornara ao status de origem, cutucou a saída desta décima Lembranças...
         Como se sabe, sua criação se dera meio a controvérsias, pois de prima questionou-se a existência do dito Plano, bem como, se existiu, a sua não consulta aos ‘pais da criança’: os cacauicultores. Registrada em cartório como Comissão Executiva do Plano de Recuperação da Lavoura Cacaueira e, como a recuperação cacaueira tinha sido o mote da planejada gestação, a omissão do “érre” de “Recuperação” em sua sigla deu outro pano pra manga. Além disso descobriu-se que a chamada ‘comissão executiva’ nada tinha a ver, porque na verdade era deliberativa.
         O método da derruba total nas práticas de renovação e implantação de cacaueiros –já em sua fase de ‘dona de si’– também fora criticado. O famoso BHC do combate às pragas, idem, principalmente após a ciência descobrir seu alto poder cancerígeno. A respeito deste agrotóxico vale lembrar que se tem contabilizado, um número elevado de extensionistas ceplaquenos vitimados por ele. Na época, igualmente, se comentava entre os da extensão rural que enquanto nos Estados Unidos este inseticida já havia sido proibido de muito, aqui na República do Brasil por negligência e/ou irresponsabilidade dos governantes, ainda rolava solto. O exemplo da recente venda de ativos públicos considerados estratégicos para a segurança nacional a preço vil –a título de fazer caixa– pelo governo da nação, ilustra bem tal descompromisso. E o pior é que pelo andar da carruagem é difícil acreditar se a receita desse “Negócio da China” (para os compradores) terá um destino patriótico!
         Mas o malho não ficava só nisso não! Falava-se até que a Ceplac, via Proterra (um programa do Governo Federal de 1971 que objetivava facilitar o acesso do homem à terra nas regiões Norte e Nordeste do país) havia ajudado agrônomos e técnicos agrícolas se afazendarem. Num tempo anterior ao nascimento desta entidade, inserindo uma notinha, tem-se que este fato era corriqueiro na Região Sul da Bahia, ou seja, os agricultores ao ficarem inadimplentes com firmas compradoras de cacau como Wildberger entre outras, estas se apropriavam das fazendas endividadas e, tornavam-se também grandes fazendeiros. 
Questionar o BHC, a derrubada de cacaueiros, da mata por não ter seguido a ‘cabruca’ dos pioneiros e a imprecisão no controle da Vassoura de Bruxa por  quem com 15% da produção anual do cacau sustentou a criança desde nascituro, tudo bem, faz parte do contexto regional capitalista, embora a ausência conjuntural nas alegações seja de cara percebível, haja vista o mortífero citado produto do presente já ter sido conhecido como a “Salvação da Lavoura”, tanto no Brasil (de aplicação intensiva nos cafezais e outras culturas do Sul do país) como em países desenvolvidos da Europa e, nos EUA da posterior proibição; inclusive utilizado intensamente para outros fins. Ademais, naqueles idos anos, temas como Meio Ambiente e Ecologia não eram abordados com intensidade de hoje e, não se pode cair no esquecimento que esta organização veio à luz em razão de uma grave crise de endividamento de seus ‘progenitores’ – a maioria, diga-se! O queixume exacerbado tende a entrar, numa visão alargada, na de negar o princípio da evolução, na de negar que a humanidade já teve a Terra como o centro do Universo.
Conclui este escrevinhador de outrora labuta na extensão rural desta referida instituição, terminando o bedelho nela metido,  que possivelmente influenciada pela abundante bufunfa à sua disposição, tenha cometido lá seus erros, lá seus vícios, tenha esnobado em algum momento, mas até o instante que ficara enferma, não se pode omitir que implantara no território cacaueiro brasileiro, especialmente no baiano, benefícios –superando em muito as imprudências– a exemplo da enorme geração de empregos (aliás o  desemprego desmedido é um dos calos da impopular administração federal atual), da elevação da produção e produtividade de cacau  a níveis consideráveis  e, o significativo pontapé dado na transformação da mentalidade individualista do cacauicultor. Enfim, a Ceplac mudou a fisionomia da Região Cacaueira da Bahia. Pra melhor, pra melhor, não resta a menor dúvida!   Então, que ela se erga o mais rápido do leito e com a saúde recuperada ocupe a posição que nunca deveria ter saído. Claro, com os aplausos para os que o assistiram na doença.  
                                                                  Heckel Januário