Dia desses, recordando lances da Extensão Rural da Ceplac com Enéas Dórea, agrônomo do escritório de Ilhéus deste órgão e um dos dirigentes desse departamento –conhecido pela sigla de Depex– nos anos 1970 do século passado, ele saíra com uma que este escrevinhador achou deveras interessante.
Certa feita nos idos anos de 1967/68 em Queimadas, sertão da Bahia, dando no Incra (o Instituto de Colonização e Reforma Agrária) os primeiros passos na lida extensionista, se espantou ao ver um homem de saia parecendo perambular pela rua.  Ficaria sabendo mais tarde se tratar do escritor Mario Vargas Llosa que pesquisava sobre a histórica guerra em Canudos, também importante área  sertaneja, que resultaria em 1981 na publicação de seu livro “Guerra do Fim do Mundo”. A leitura de “Os Sertões” do engenheiro Euclides da Cunha, umas das testemunhas oculares deste conflito, foi a razão do peruano se embrenhar pelo agreste baiano.
Quanto ao ‘travestimento’ do Nobel de Literatura em 2010 ou pode ter sido uma quebra dos padrões morais da época ainda preconceituosíssimos – principalmente naquelas bandas– no país, ou uma homenagem a seus ancestrais incas valorizadores do vestuário, outrora de admirável civilização destruída pelos ‘hermanos castelhanos’. Nesta década de sessenta se dava sua transformação política ao mudar a crença socialista para a capitalista de cunho democrático.
O fato estudado pelo Nobel envolvera o Exército Brasileiro numa descomunal chacina em que morreu milhares de irmãos sertanejos. Fazendo um paralelo com as constantes ações governamentais de colocar esta entidade –instituída com a finalidade precípua de guardiã da pátria– para tentar solucionar conflitos internos em favelas e presídios, escrevinho que a semelhança não é mera coincidência. As atitudes se harmonizam porque, embora tenha se criado na época que Antônio Conselheiro e seus seguidores iriam derrubar a República, o cerne da revolta era outro: a vida miserável do trabalhador do Sertão fomentada pela insensibilidade do latifundiário improdutivo, do clero e pela indiferença(deliberada ou não) do Estado Brasileiro, Estado incapaz de resolver os persistentes problemas econômicos e sociais –agravados atualmente pelo acentuado desemprego e corte de direito trabalhistas já conquistados– da maioria da sociedade. Enquanto isso, e por cima disso na República de Temer transações internacionais incautas –ou conscientes– são realizadas, o que para muitos brasileiros, põem em xeque a soberania nacional por subtrair ativos estratégicos da nação.
Quando a República de Prudente de Morais decidiu (ano de 1897) massacrar os manos catingueiros, era um tempo que a Europa, idem EUA, espalhavam na ‘terra brasilis’ ideias que pudessem justificar a perpetuação da dominação, ideias estas aceitas de bom grado pela maior parte de nossa elite intelectualizada. Ressalte-se que figuras (entre outras renomadas) como os médicos Nina Rodrigues e Artur Neiva, o próprio Euclides da Cunha e Monteiro Lobato, de notórias contribuições à medicina e à literatura –inclusive à legal e à infantil– do Brasil, eram homens que acreditavam piamente na existência de uma ‘raça superior’: a branca. Eugenistas ferrenhos, o último chegou a exaltar a raça ariana do ideário nazista.
Foram verdades absolutas de antes descartadas nos dias hodiernos, mas que não se pode desconsidera-las por fazer parte do eterno processo de conhecimento.  O que dizer então, do BHC que já foi tido como a salvação da ‘lavoura e da saúde’ no Brasil (a Região Cacaueira da Bahia muito dele fez uso) e no mundo todo? E da orientação de erradicar o Cupuaçu das fazendas cacaueiras baianas por tê-lo como grande hospedeiro e terrível disseminador do fungo da Vassoura de Bruxa? Mas isso é assunto para a próxima ‘Lembranças...  ‘
                                                                 Heckel Januário
Em tempo: Havia lido “Os Sertões”, mas foi necessária uma breve repaginada e a fonte da internet para sair este escrevinhado.
Em tempo1: Este escrevinhador, técnico agrícola, foi contemporâneo do citado agrônomo Enéas Cruz de Souza Dórea no labor da Extensão Rural no escritório da Ceplac de Ilhéus quando era localizado na confluência das ruas Oswaldo Cruz e Manoel Dórea e onde se ergueu recentemente um edifício de salas comerciais.