A procuradora-geral da República entendeu que o homem dos 51 milhões de reais ao vivo e em cores encontrados num apartamento é o líder de uma organização criminosa, por sua vez o ex presidente do Senado, Renan Calheiros ao dizer “Para mim o chefe era ouTro” num de seus tweets com o “tê” de “ouTro” destacado –isso mesmo–, admite a brecha para deduções.  Está aí mais uma das poucas e boas da “nobre” Política nossa, rolada na mídia dias atrás.
         Como se vê o parlamentar mais que insinuar, quis mesmo foi mostrar evidências, porque embora não tenha explicitado, o segundo nome de Sua Excelência iniciado com a vigésima letra do nosso alfabeto e a acusação que lhe é imada no aludido delito, são fatos que combinam com a intencionalidade do senador. É isso. As declarações mostram claramente –por mais incrível que pareça– uma concorrência pela liderança de um crime e, se a elas for juntada a afirmação do empresário da JBS em que titula o mandatário-mor de ‘ladrão geral da nação’, significa mais que disar a prima autoridade da violação de leis, um sistema político-social chegado ao fundo do poço. Outra que comprova essa situação esdrúxula –enlameando de vez a Câmara dos Deados e por tabela outras instituições da Republica Brasileira– foi a do operador financeiro, Funaro, ao abrir o bico (em delação premiada) de ter repassado R$1 milhão ao então presidente desta Casa, Eduardo Cunha, para comprar deados em favor do impeachment.  
Evidentemente não se pode condenar ninguém de véspera, mas a abominável compra de votos na chamada ‘corrupção passiva’ na primeira denúncia e a grotesca imagem de seu assessor com a sacola cheia de dinheiro, alicerçam as provas da presente acusação e deixam o representante maior da nação no mato sem cachorro. Uma ressalva: como o país chamado Brasil a banda não toca do mesmo jeito para todos, tem sempre uma minoria envolta de forças suficientes para envolver o maestro e faze-lo tocar a seu gosto, isso impõe concluir que –apesar dos parcos e agravantes 3% de popularidade do chefe e de ministros de primeira linha envolvidos em igual ação ilícita–, os desamparados no mato sem nenhum animalzinho protetor é a grande maioria –desprovida de robustez– da população brasileira.
Este escrevinhador ávido por exercer a cidadania começa a finalizar este escrevinhado. Ontem uma juíza do STF –neste momento em que afloram   decisões na Justiça consideradas estranhas para os que estão fora das quatro linhas; os meios de comunicação anunciando haver juízes midiáticos e, Ave Maria! parciais!–  ao cancelar a portaria governamental considerada um retrocesso na proteção aos direitos humanos e no combate ao trabalho escravo no Brasil, noutro ato tido como inconsequente do Planalto, foi aplaudida como uma ação positiva para a Democracia. Hoje, 25 do mês 10 deste ano de 2017 uma decisão marcará a história política brasileira e em consequência o País: a votação na Câmara dos Deados para a admissibilidade ou não do Supremo Tribunal Federal investigar o presidente da República dos crimes –como principal mentor– de ‘organização criminosa’ e, ‘obstrução de Justiça’. Idem, idem por ‘organização criminosa’, dois de seus influentes ministros. Como o Brasil já é um país a olhos vistos moralmente deplorável (não adiantando o governo tentar tirar o foco das ilicitudes cometidas, alardeando sinais de melhoras da economia, haja vista, diante da recessão que impusera, serem frugais e imperceptíveis para a melhoria do nível de vida do brasileiro), está nas mãos desta instituição, infelizmente tida  como a mais desacreditada da nação, decidir se sua propagada defesa da Democracia é pra valer ou, se contribuirá para nela abrir uma fenda maior para uma  intervenção militar. Pelo andar da carruagem, só um milagre, só um milagre. Aguardemos.   
 
                                                        Heckel Januário