Garantiam com promessas que resolveriam os problemas econômicos porque o estorvo era a incompetência do governo derrubado. Falo dos mandatários que alcançaram o Planalto e os adjacentes prédios ministeriais brasilienses pelas vias tortuosas.
         Antes da ocupação jamais tocaram em cortes de gastos, mas como a tão assegurada competência morrera no nascedouro, apelaram para o contraditório “teto dos gastos”, significando –é bom sempre bater na tecla– engessar contas públicas inclusive as das Educação e Saúde com o argumento de ajustar a economia. Como nadinha de positivo veio ao encontro do povo a não ser medidas paliativas para tentar enganar a torcida, partiram para as Reformas como a solução. Se no bojo delas as entrelinhas –ou nas linhas de forma claras– não figurassem armadilhas para o lado mais vulnerável, o da classe trabalhadora, como veem prudentemente muitos analistas, nada de mais em adequar as leis a uma nova realidade. Mas o que fizeram e estão fazendo os mandatários das vias tortuosas? Reformando a toque de caixa com o aval de um “digno” Congresso Nacional.
         Os negativos quase 80% de desaprovação ao Presidente da República e a conferir-lhe um governo ruim e sem perspectivas de dias melhores significam a resposta à arapuca armada e aos festejados compromissos não realizados. 
         Não adianta sua excelência goelar nos meios de comunicação que botou o País nos trilhos, porque não cola. Ir aonde com brutais 14 milhões de desempregados? Pro Paraiso ou...? Como é que o cidadão brasileiro, sobretudo o mais carente, com um montão de deveres para com o Estado Brasileiro –o pagamento de impostos de todos os tipos é um deles– e o presidente ainda adota o corte de despesas? Será realmente para equilibrar as contas? Se houvesse tratamento isonômico, ou os contribuintes mais abastados, fazendo justiça, pagassem a conta maior, até valeria o sacrifício de suprir o dever do Estado. No entanto é uma hipótese descartada, haja vista de antemão se saber que para lesa-lo é de praxe entrar em cena o jeitinho brasileiro de desonerar pessoal físicas poderosas e –sem entrar no mérito da importância desses agentes econômicos– empresas de grande porte.
         Que confiança a sociedade pode ter num governo que corta verbas de entidades públicas –freando a dinâmica da economia– como aconteceu recentemente, e ao mesmo tempo abre as torneiras dos cofres da União para os deados nas chamadas emendas parlamentares! E o pior: com claro –como bem divulgado na imprensa- objetivo de compra de votos na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, para livrar o presidente do Supremo Tribunal. Este acontecimento escuso me fez lembrar da futura comandante da Procuradoria Geral da República ao falar no Senado em fortalecimento das instituições e, matutar: Como, se o Congresso Nacional notadamente a Câmara dos Deados, apesar de portar a liderança das mais desacreditadas instituições do país, faz do que faz?
         Pois é. Salvando uns poucos sem arranhões, fica difícil acreditar no nosso Poder Legislativo. Para este escrevinhador os dois poderes só não se desmoralizarão (troco para o mais adequado, “esculhambarão”, pois desmoralizados, não resta a menor dúvida) por completo se a pressão popular for capaz de reverter no plenário “esta porra”. Palavrão ao qual plagio de um deado da cúpula palaciana que num diálogo (famoso por sinal) ao se referir à Lava Jato, propôs, depois de derrubar a ex-presidente, estanca-la”.
         Também para que os trilhos governamentais não levem o País para –embora não seja em nenhuma circunstância o desejo deste brasileiro– os ‘quintos dos infernos’, pequena expressão que preencheria o lugar das reticências acima depois de Paraiso, só a Política, mesmo com toda desgraça, o impedirá.  Porém como o Legislativo e o Executivo estão execrados moralmente, recorra-se ao Judiciário a inciativa salvadora.  De prima noutra opinião rasa, ou vesga sei lá, nada de juízes durões, tampouco complacentes; a imparcialidade –como já é condição sine qua non imposta ao magistrado–   basta.  Natural o magistrado ter sua visão política, execrável é defende-la, principalmente   de maneira partidária. Ah, os profissionais da mídia e os mandões de veículos de comunicação, mormente os grandes, poderiam prestar um bom serviço à Democracia e uma ajudinha ao País. É só cumprirem o compromisso ético de não enviesarem a notícia com juízos de valor.
                                                                 Heckel Januário