No vídeo postado em 01/03/2018 no site jornaldebelmonte.com, o Governador da Bahia anuncia que construirá a estrada Belmonte a Canavieiras. Após dizer haver encontrado (uma semana antes da postagem) com os irmãos Janival Borges, prefeito de Belmonte e Jânio Natal, dep. estadual, concluiu que o projeto está encaminhado e logo termine –enfatizando ser um antigo sonho das duas cidades– fará a licitação e anunciará pessoalmente na região.
         Joias do tipo “qualé nada, isso é conversa pra boi dormir! ” e “você ainda cai nessa de tempo de eleição!? ” retornaram dos contatos ao link que lhes encaminhei; bem como as debruçadas em São Tomé como em “só acredito depois de pronta”, mas as positivas com o crédito que o cara tem cumprido suas promessas, ‘bombaram’ como se diz na gíria.
         O histórico em defesa desta ligação é alargado. A sociedade ‘sulbaiana’ –ou parte dela incluindo prefeitos, vereadores, deados e entidades públicas e privadas– já abraçou a causa, mas parece que nos dias de hoje, desiludida com as promessas, desistiu pelo cansaço. Abaixo-assinados estes, abundavam. Uma estrada nomeada “ecológica” ficara no meio do caminho e acabou na Justiça. Outras duas com participação de chefes das referidas cidades, do Derba e de cacauicultores tiveram início mas morreram no nascedouro. Às reivindicações, consecutivos governos baianos se manifestavam com veementes discursos. Governadores e proeminentes políticos de então como Cesar Borges, ACM, Paulo Souto e Jacques Wagner já juraram em praça pública realiza-la, mas as palavras foram se incorporando ao manjado e eterno ‘rol do blábláblá da enganação’.   
         O custo da obra foi sempre a desculpa de todos, sem exceção. Dizia-se alto, em razão das pontes a serem feitas: uma com +- 600m no rio Jequitinhonha e outra de +- 60m no Salsa. Pelo número de promessas ruidosamente anunciadas com o mesmo lero-lero por cada governador, um bendito acervo de traçados, estudos e projetos deve existir em algum lugar da administração pública baiana, se esta for organizada. Assim sendo, numa ‘sugesta’ rasteira, bastaria o gestor em atividade lançar mão da papelada arquivada do administrador anterior e com algum reparo necessário, economizaria dinheiro e, tempo. Ou isso ‘não vem ao caso’, como dizem uns e outros!  
No desejo de ver um dia o dito trajeto ser chamado de rodovia, em alguns escritos insisti em registrar que a ausência deste elo deixava estanques os polos turísticos das outrora capitanias dos Ilhéus e de Porto Seguro – representantes das Costa do Cacau e Costa do Descobrimento. “Quero ficar torto como búzio da costa se esta estrada sair! ”, é um dos velhos ditados –também por vezes registrado– da lavra de belmontenses e canavieirenses que refletia –e refle– o descrédito com os governadores. 
Data de 1998 que, como cidadão, venho dando pitacos por escrito a respeito desta ligação, alguns direcionados, outros, mencionando-a. Entretanto, convencidíssimo de que sua construção só se daria com a vontade política de um governador ‘retado’, ‘peitudo’ –sobretudo um dotado do orgulho em fazer coisas, tocar obras–, decidi, decepcionado, não mais abordar o assunto.  No fim de 2016, porém, motivado pela notícia que o aludido prefeito belmontense –acompanhado do também mencionado deado– fora (antes mesmo de ser empossado) ao governo do Estado à cata de investimentos municipais, principalmente o referente à ligação Belmonte/Canavieiras, quebrei o silêncio em 10.11.2016 com “De Um que tenha ‘Aquilo Roxo’”, texto centrado neste tema.
O Hospital Costa do Cacau e a nova ponte Ilhéus/Pontal prestes a realidades, particularizando fatos ilheenses para não alongar este escrevinhado, são provas incontestes de coerência de um político merecedor de ir pra galera e receber os aplausos. A recente declaração do governador (dia 18/03) garantido o início da duplicação da rodovia Ilhéus/Itabuna (a Rodovia Jorge Amado) no próximo mês de abril, eu não sendo radical, só me resta acreditar que a estrada rodoviária Belmonte/Canavieiras deixará de ser sonho.
 
                                                                  Heckel Januário