Ao cutucar a memória na caça de alguma um tanto ‘fora de série’ da terrinha da foz do Jequitinhonha para esta sequência, percebi que havia passado batido nas antecedentes partes XXIII e XXIV.  
Elas focaram em Salvinho Bandeira e Arnoldino Andrade, figuras entusiásticas do movimento integralista em Bebel, deixando de centrar, por um lapso do escrevinhador, também nos seus irmãos: Godofredo Mendes Bandeira e Viriato Marino de Andrade. Como não possuo provas cabais, fica a dúvida se integraram o referido movimento, porém o primeiro ao aportar em Belmonte –início do século XX oriundo de Santo Amaro da Purificação junto com os irmãos João, Francisco, Salvinho(o da XXIII) e Adolfo (este desembarcou em Canavieiras)– se tornou político –e conceituado comprador de cacau.  Sua verve política o faz prefeito de 1939 a 1943 e, em 1953, ao perceber o perigo das cheias do Jequitinhonha –com o recente desmoronamento do cais de proteção– para a cidade não hesita, homem público já consagrado, em encabeçar um telegrama direto a Getúlio Vargas dizendo da indomabilidade das águas e, claro, pedindo providências. Como o apelo logrou efeito com as obras iniciadas de bate-pronto, em Bebel se tem que o resultado positivo se deu porque os requerentes, em especial Seu Godo(como era mais conhecido), pertenciam a diretórios de agremiações partidárias (PSD, PRP e PTB) ligadas ao presidente e, sobretudo, correligionários desde quando o comandante e seu Estado Novo governavam o país com traços fortes do integralismo. Este comunicado entrou nos anais da República Brasileira.
Viriato Marino de Andrade é o mano do segundo –Arnoldino Andrade, ambos portugueses da Vila de Tocha– e outro a se aventurar pelas águas do Jequitinhonha. Como dito, dele não há passagem ligada aos “camisas verdes”, mas uma se encaixa direitinha nessas Notas. É o fato dos nomes dos seus 8 filhos serem iniciados por ‘éle’ (ou ‘lê’ como se dizia antigamente): Lena, Lea, Lis, Levi, Laerte, Leni, Lairton e Larry. Considerado um imperturbável trabalhador, ao subir o Paticha e se estabelecer nas bandas de Itapebi(na época distrito de Belmonte) se torna próspero fazendeiro de cacau.
Para compensar, na cutucada deparo com mais um integralista, desta feita um filho de imigrantes italianos de Cosenza: Orlando Paternostro, belmontense nascido em 1898. Foi mais um a subir o caudaloso rio e, dotado de aguçada visão empresarial agrícola-comercial, ao tirar proveito de suas fertilíssimas margens, acumula alargado lastro patrimonial.  Na política foi um dos líderes do braço belmontense da Ação Integralista Brasileira.  Certa feita –anos depois do término da Ditadura Militar e já aposentado da política– na brecha de uma conversa com seu amigo Hermelino de Paiva, meu pai, curioso, perguntei-lhe: –“Seu Orlando, como era mesmo o Integralismo? ”. Respondeu-me: “Nada, meu filho. Foi tudo invenção”. Não foi, evidentemente. A respeito, do meu tio José Figueiredo, um amansador de animais e um artista na arte de trabalhar o couro –fazia selas bonitas pra cacete!– e, um ‘pé-de-cana’ exemplar,  e que pertenceu a seu grupo, dele paquerei bons causos, como o sobre a saudação “Anauê”.  Mais tarde, Seu Orlando filiou-se ao antigo MDB e teve participação ativa na vida pública belmontense, inclusive eleito mandatário em (1967/1971 e 1973/1977).  Conta-se que ele, então rival político do Dr. José da Costa Pinto Dantas (prefeito entre 1948 e 1951), ao inaugurar um hospital (na 2ª gestão) e consciente dos enormes benefícios que o adversário prestara a população, não titubeia, demonstrando grandeza de caráter, em nomeá-lo com o nome do médico. Em tempo: “Seu” era um tratamento muito usado aos mais velhos em Bebel. ‘camisas verdes’ era uma das alcunhas da referida doutrina nacionalista.  
Em tempo1: Ernani Pinto, Honório Gomes e João Gomes foram outros que assinaram o telegrama. As fontes da ocorrência são fidedignas, e o caminho: Acervo/Consulte à Base/Aqui - Em seguida digitar Godofredo Mendes Bandeira e clicar em Busca e no Item 5) do site http://cpdoc.fgv.br/ da FGV, comprova-a.
Em tempo2: ‘Paticha’ era o Jequitinhonha para os índios Botocudos; os colonizadores portugueses chamavam-no de Rio Grande.
                                                                  Heckel Januário